ALMT aprova projeto de Dr. João que garante apoio psicológico a famílias que perderam entes queridos por suicídio
Proposta amplia política estadual de saúde mental e coloca em pauta uma questão muitas vezes invisibilizada: quem cuida de quem fica?

A dor de perder alguém por suicídio não termina com a despedida. Ela permanece na vida de pais, mães, filhos, irmãos e amigos, que muitas vezes enfrentam o luto em silêncio, sem saber onde encontrar acolhimento e apoio especializado. É justamente para mudar essa realidade que o deputado estadual Dr. João (MDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), apresentou uma proposta que representa um avanço importante nas políticas públicas de saúde mental.
O Projeto de Lei nº 493/2026, de autoria do parlamentar, foi aprovado em segunda votação pela Assembleia Legislativa, durante a 54ª Sessão Ordinária, realizada em 28 de outubro. A proposta amplia o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio e à Automutilação, incluindo a assistência psicossocial aos familiares que enfrentam a perda de alguém por suicídio.
A iniciativa traz uma mensagem necessária: quem fica também precisa de cuidado.
Pelo projeto, o atendimento deverá contemplar acolhimento humanizado, escuta qualificada e acompanhamento psicológico, individual ou em grupo. Nos casos em que houver necessidade, os familiares também poderão ser encaminhados para serviços especializados de saúde mental.
Para Dr. João, a iniciativa representa um olhar mais amplo e humano sobre a saúde mental.

“Quando uma pessoa morre por suicídio, a dor não termina naquele momento. Ela continua dentro de casa, com os pais, os filhos, os irmãos e todos que amavam aquela pessoa. São famílias que muitas vezes sofrem em silêncio, sem saber onde procurar ajuda. Nosso projeto é justamente para que elas não fiquem sozinhas nesse momento tão difícil”, destacou.
UM OLHAR PARA QUEM FICA
Um dos principais avanços da proposta é o fortalecimento da chamada pósvenção, que reúne estratégias de acolhimento e assistência às pessoas impactadas por uma morte por suicídio.
A medida reconhece que familiares enlutados podem enfrentar sofrimento emocional intenso, dificuldades para elaborar a perda e maior vulnerabilidade a problemas de saúde mental.
Além de oferecer suporte psicológico, o acompanhamento busca reduzir os impactos emocionais do luto, contribuir para a recuperação dos familiares e atuar também na prevenção de novos casos.
“Não podemos olhar apenas para a prevenção e esquecer de quem ficou.
Muitas vezes, uma mãe, um pai ou um filho carrega uma culpa que não deveria carregar, além de uma tristeza enorme. Essas pessoas precisam ser ouvidas, acolhidas e acompanhadas por profissionais preparados. Cuidar da saúde mental também é cuidar dessas famílias”, afirmou o deputado.
MAIS HUMANIDADE NAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Atualmente, Mato Grosso conta com o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio e à Automutilação, instituído pela Lei nº 10.598/2017. Com a proposta de Dr. João, a legislação passa a contemplar também a assistência psicossocial aos familiares enlutados, ampliando a rede de atenção e o alcance das políticas públicas.
Médico nefrologista, o parlamentar defende que a saúde precisa ser compreendida de maneira integral, considerando não apenas o corpo, mas também o bem-estar emocional e psicológico das pessoas.
“Como médico, sempre defendi que a saúde precisa ser tratada de forma completa. Não basta cuidar apenas do corpo. O sofrimento emocional também precisa de atenção. Queremos que o poder público esteja presente para oferecer apoio a essas famílias, com respeito, humanidade e dignidade”, ressaltou.
PRÓXIMOS PASSOS
Apresentado em abril de 2026, o Projeto de Lei nº 493/2026 foi aprovado em segunda votação e ainda precisa cumprir os trâmites legislativos restantes e receber a sanção do governador para entrar em vigor.
Mais do que uma alteração na legislação, a proposta coloca em evidência uma necessidade social: nenhuma família deveria enfrentar sozinha as consequências emocionais de uma perda tão dolorosa.






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