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Delegado alerta: emprestar CPF a parente pode te tornar alvo da Polícia


Imagem: Agência Brasil
Imagem: Agência Brasil

Emprestar o CPF para um parente ou amigo pode transformar qualquer cidadão em investigado pela Polícia em Mato Grosso e até em outras partes do Brasil. O delegado Walter Fonseca, titular da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), faz um alerta direto: criminosos estão usando CPFs de terceiros para abrir empresas de fachada, sonegar impostos e aplicar golpes financeiros.


Segundo o delegado, muitos casos começam dentro da própria família. “O parente está mal-intencionado, fala: ‘empresta o CPF, quero abrir uma empresa’. E, muitas vezes, a pessoa, de boa-fé, sem ter ciência de que vai ter o CPF utilizado para a abertura de uma empresa laranja, fornece os dados. Isso acaba virando um caso na Delegacia Fazendária”, afirmou em entrevista ao MidiaNews. Quando a fraude é descoberta, a vítima já pode estar com o nome ligado a dívidas fiscais, emissão de notas frias e até ações judiciais.


As empresas fictícias, conforme Fonseca, são usadas para emitir notas fiscais frias e viabilizar a sonegação de tributos, muitas vezes em parceria com empresas formalmente constituídas. Também servem para obter empréstimos de alto valor em instituições financeiras. Em um caso recente, um investigado chegou a utilizar CPFs de colegas de cela na Penitenciária de Rondonópolis e até de parentes desses detentos para abrir empresas fraudulentas.


Outra porta de entrada para o golpe é o vazamento de dados na internet. O delegado alerta que cadastros feitos em sites sem certificado de segurança podem expor informações pessoais.


Criminosos também já utilizaram anúncios falsos de emprego para coletar dados e criar assinaturas digitais usadas na abertura de empresas laranjas. Com a virtualização dos serviços após a pandemia, a abertura online de empresas e a emissão de notas fiscais eletrônicas facilitaram ainda mais esse tipo de crime.


Para se proteger, Walter Fonseca orienta que a população nunca empreste o CPF — nem mesmo para parentes — e que monitore regularmente o próprio nome na internet para verificar se há vínculo indevido com empresas.


“Com essa dinâmica da vida moderna e virtualizada, é preciso ter cuidados preventivos e também posteriores a um eventual vazamento de CPF ou documento”, reforçou. O alerta é claro: um simples “favor” pode colocar qualquer cidadão na mira da polícia.

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