ESPECIAL - Tangará da Serra, 50 anos: de chão batido a gigante do interior de Mato Grosso
- Da Reportagem

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Hoje, dia 13 de maio de 2026, Tangará da Serra celebra meio século de emancipação político-administrativa. Cinquenta anos de uma trajetória marcada por coragem, migração, trabalho duro e um desenvolvimento que transformou uma antiga área de mata e estradas de barro em um dos mais importantes polos do interior de Mato Grosso e do Brasil.
Muito antes de ser cidade, Tangará era apenas floresta, poeira e esperança. Famílias vindas de várias regiões do país chegaram enfrentando longas viagens, falta de estrutura e a incerteza do novo. Vieram principalmente para o trabalho na terra — primeiro na poaia, depois no café, que se espalhou pelas lavouras e sustentou as primeiras economias locais.
Com o tempo, o que era isolamento virou crescimento. O que era dificuldade virou construção.
O nascimento de uma cidade e a força dos pioneiros

A emancipação de Tangará da Serra foi resultado de articulações políticas intensas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com redefinição de áreas de municípios vizinhos e aprovação acelerada da lei de criação.
Nesse cenário surge uma das figuras centrais da história do município: Thaís Barbosa, eleita em 1976 e empossada em 1977 como a primeira prefeita da cidade recém-criada.
Em entrevista ao repórter Alexandre Rolim, ela relembra o período com emoção:
“Eu nunca sonhava entrar na política. Mas as coisas aconteceram de uma maneira diferente.”
A posse aconteceu de forma simples e histórica, em um palanque improvisado, simbolizando o início de uma administração sem estrutura, mas com enorme responsabilidade: fazer a cidade existir na prática.
Construir do zero: saúde, educação, energia e infraestrutura
Os primeiros anos foram marcados por desafios extremos. Sem arrecadação própria no início, a gestão precisou organizar o município em meio à ausência de estrutura administrativa e financeira.
Mesmo assim, as bases foram lançadas.
A educação chegou com escolas simples de madeira espalhadas pela zona rural, como João Batista (Vila Mineira), 13 de Maio, Ramon Sanches Marques e unidades em regiões como São Paulino, atendendo comunidades agrícolas espalhadas.
Na saúde, foi construída a primeira unidade de atendimento, com apoio político e articulação direta com o governo estadual, garantindo médicos e estrutura básica de atendimento.
A infraestrutura começou a ganhar forma com a chegada do primeiro caminhão da prefeitura, essencial para abrir estradas e dar mobilidade ao município ainda isolado.
Energia elétrica, água encanada e comunicação também chegaram gradualmente, com apoio da CEMAT, Sanemat e Telemat — esta última responsável pelos primeiros serviços telefônicos, ainda bastante limitados, mas revolucionários para a época.
A cidade que cresceu sem esquecer suas raízes

Com o passar das décadas, Tangará da Serra deixou de ser apenas um município recém-criado para se tornar um dos principais polos do Médio Norte de Mato Grosso.
A chegada da UNEMAT, a expansão do agronegócio, o fortalecimento do comércio, novos bairros, hospitais e investimentos em infraestrutura consolidaram a cidade como referência regional.
A preservação de áreas como o Bosque Municipal, a abertura de avenidas como a Brasil e a construção da sede administrativa marcaram o amadurecimento urbano de uma cidade que cresceu planejando o futuro.
Hoje, Tangará é moderna, produtiva e influente — mas mantém viva sua essência pioneira.
E essa história também carrega a memória de quem ajudou a construí-la desde o início, como Thaís Barbosa e tantos outros pioneiros.
Em tom de emoção, ela resume o sentimento que atravessa gerações:
“Eu amo Tangará da Serra. Eu devo a Tangará metade da minha vida. É uma cidade que mora no meu coração.”
50 anos depois: uma cidade que continua em construção
Celebrar os 50 anos de Tangará da Serra é reconhecer que sua grandeza não nasceu pronta — foi construída dia após dia, por mãos anônimas e lideranças históricas, entre dificuldades e conquistas.
De mata fechada a polo regional, de estrada de barro a cidade estruturada, Tangará da Serra prova que desenvolvimento não acontece por acaso: ele é fruto de gente que acredita antes de tudo existir.
E assim, meio século depois, a cidade segue sua trajetória.
Firme, viva e em constante construção.
Redação, pesquisa e concepção: Alexandre Rolim, em parceria com Diário da Serra e Estúdio 1033





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