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ESPECIAL - Tangará da Serra, 50 anos: de chão batido a gigante do interior de Mato Grosso


Hoje, dia 13 de maio de 2026, Tangará da Serra celebra meio século de emancipação político-administrativa. Cinquenta anos de uma trajetória marcada por coragem, migração, trabalho duro e um desenvolvimento que transformou uma antiga área de mata e estradas de barro em um dos mais importantes polos do interior de Mato Grosso e do Brasil.


Muito antes de ser cidade, Tangará era apenas floresta, poeira e esperança. Famílias vindas de várias regiões do país chegaram enfrentando longas viagens, falta de estrutura e a incerteza do novo. Vieram principalmente para o trabalho na terra — primeiro na poaia, depois no café, que se espalhou pelas lavouras e sustentou as primeiras economias locais.

Com o tempo, o que era isolamento virou crescimento. O que era dificuldade virou construção.


O nascimento de uma cidade e a força dos pioneiros


Foto de Tangará da Serra em 1975, um ano antes da emancipação (Autor desconhecido)
Foto de Tangará da Serra em 1975, um ano antes da emancipação (Autor desconhecido)

A emancipação de Tangará da Serra foi resultado de articulações políticas intensas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com redefinição de áreas de municípios vizinhos e aprovação acelerada da lei de criação.


Nesse cenário surge uma das figuras centrais da história do município: Thaís Barbosa, eleita em 1976 e empossada em 1977 como a primeira prefeita da cidade recém-criada.

Em entrevista ao repórter Alexandre Rolim, ela relembra o período com emoção:

“Eu nunca sonhava entrar na política. Mas as coisas aconteceram de uma maneira diferente.”


A posse aconteceu de forma simples e histórica, em um palanque improvisado, simbolizando o início de uma administração sem estrutura, mas com enorme responsabilidade: fazer a cidade existir na prática.


Construir do zero: saúde, educação, energia e infraestrutura

Os primeiros anos foram marcados por desafios extremos. Sem arrecadação própria no início, a gestão precisou organizar o município em meio à ausência de estrutura administrativa e financeira.


Mesmo assim, as bases foram lançadas.


A educação chegou com escolas simples de madeira espalhadas pela zona rural, como João Batista (Vila Mineira), 13 de Maio, Ramon Sanches Marques e unidades em regiões como São Paulino, atendendo comunidades agrícolas espalhadas.


Na saúde, foi construída a primeira unidade de atendimento, com apoio político e articulação direta com o governo estadual, garantindo médicos e estrutura básica de atendimento.


A infraestrutura começou a ganhar forma com a chegada do primeiro caminhão da prefeitura, essencial para abrir estradas e dar mobilidade ao município ainda isolado.

Energia elétrica, água encanada e comunicação também chegaram gradualmente, com apoio da CEMAT, Sanemat e Telemat — esta última responsável pelos primeiros serviços telefônicos, ainda bastante limitados, mas revolucionários para a época.


A cidade que cresceu sem esquecer suas raízes


Foto atual de Tangará da Serra (Autor: RS Imagens)
Foto atual de Tangará da Serra (Autor: RS Imagens)

Com o passar das décadas, Tangará da Serra deixou de ser apenas um município recém-criado para se tornar um dos principais polos do Médio Norte de Mato Grosso.

A chegada da UNEMAT, a expansão do agronegócio, o fortalecimento do comércio, novos bairros, hospitais e investimentos em infraestrutura consolidaram a cidade como referência regional.


A preservação de áreas como o Bosque Municipal, a abertura de avenidas como a Brasil e a construção da sede administrativa marcaram o amadurecimento urbano de uma cidade que cresceu planejando o futuro.


Hoje, Tangará é moderna, produtiva e influente — mas mantém viva sua essência pioneira.

E essa história também carrega a memória de quem ajudou a construí-la desde o início, como Thaís Barbosa e tantos outros pioneiros.


Em tom de emoção, ela resume o sentimento que atravessa gerações:

“Eu amo Tangará da Serra. Eu devo a Tangará metade da minha vida. É uma cidade que mora no meu coração.”



50 anos depois: uma cidade que continua em construção

Celebrar os 50 anos de Tangará da Serra é reconhecer que sua grandeza não nasceu pronta — foi construída dia após dia, por mãos anônimas e lideranças históricas, entre dificuldades e conquistas.


De mata fechada a polo regional, de estrada de barro a cidade estruturada, Tangará da Serra prova que desenvolvimento não acontece por acaso: ele é fruto de gente que acredita antes de tudo existir.


E assim, meio século depois, a cidade segue sua trajetória.


Firme, viva e em constante construção.


Redação, pesquisa e concepção: Alexandre Rolim, em parceria com Diário da Serra e Estúdio 1033


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