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Profissão que já reuniu mais de 60 trabalhadores hoje resiste com apenas 4 em Tangará da Serra


Foto: Rogério Júnior
Foto: Rogério Júnior

Profissão que já reuniu mais de 60 trabalhadores no município hoje resiste com apenas quatro carroceiros, que vivem de fretes e serviços gerais.


Há mais de 50 anos, era mais fácil encontrar uma carroça do que um carro circulando pelas ruas de Tangará da Serra (MT). Hoje, a cena virou raridade. Dos mais de 60 carroceiros que trabalhavam no município na década de 1970, apenas quatro ainda seguem na atividade.


Um deles é Mauro Fabrício da Silva. A rotina começa no ponto de carroceiros da Rua 24, onde ele e os outros três trabalhadores esperam aparecer algum frete. É ali que sobrevive uma profissão que fez parte da história da cidade, mas que perdeu espaço com o passar das décadas.


Mauro está nesse trabalho há cerca de 20 anos, seguindo um caminho que começou ainda na infância.

Foto: Rogério Júnior
Foto: Rogério Júnior

“Toda vida eu sempre gostei de animal. Desde criança, meu pai criou a gente com isso. Lá em casa éramos cinco, e o único que ficou com isso fui eu, que seguiu a profissão do meu pai”, contou.


Os registros municipais ajudam a mostrar o tamanho da mudança. Na década de 1970, Tangará da Serra tinha mais de 60 trabalhadores atuando com carroças. Atualmente, restaram apenas quatro.


Quando carroças dominavam as ruas

Aluízio Gomes de Oliveira acompanhou essa transformação de perto. Ele chegou ao município em 1979 e se lembra de uma Tangará da Serra bem diferente da atual.


“Sempre mexi com criação, com animal. Mexi com leite e, depois que acabou o serviço na fazenda, vim para a cidade. Quando cheguei em Tangará, em 1979, você quase não via carro dentro da cidade, e sim carroceiros. Infelizmente, hoje está acabando”, relembrou.


Com menos clientes procurando o transporte tradicional, os carroceiros precisaram adaptar a rotina. Hoje, além dos fretes, eles fazem serviços como limpeza de terrenos e retirada de entulho.

Foto: Rogério Júnior
Foto: Rogério Júnior

“Nós fazemos a limpeza do quintal, se for preciso, e carrego o entulho. Tudo que é quebrado a gente carrega, mas dentro do limite da carroça e do cavalo”, explicou Mauro.


Cavalo é parceiro de trabalho

Se a profissão resiste ao tempo, os cuidados com quem divide o trabalho também fazem parte da rotina. Para Aluízio, os cavalos não são apenas uma ferramenta para puxar a carroça.


“Nós temos o animal como companheiro, porque eles têm vida igual a gente. O que a gente sente, o animal também sente”, afirmou.


Em Tangará da Serra, regras municipais estabelecem condições para o uso dos animais. Desde 2010, por exemplo, carroças precisam ter trava para circular em descidas. Boléias e arreios devem ser adequados e não podem provocar ferimentos.


Também é proibido utilizar sinos, chocalhos ou campainhas que produzam barulho constante e possam incomodar os cavalos. Em 2022, uma nova legislação ampliou as responsabilidades dos tutores em relação ao bem-estar dos animais.


O companheiro de Mauro no trabalho é Apolo. Segundo o carroceiro, foram mais de dois anos de treinamento até que o cavalo aprendesse os movimentos necessários durante os fretes.


Mesmo depois de duas décadas na atividade, Mauro continua diariamente no ponto à espera de trabalho. O trânsito mais intenso, porém, também mudou os caminhos percorridos pelas carroças.


“Eu fico direto no ponto. Às vezes vamos para um canto, vamos para outro, mas não vou para a avenida por conta do trânsito”, contou.


Entre carros, motos e uma cidade muito diferente daquela das décadas passadas, Mauro, Aluízio e outros dois trabalhadores mantêm uma cena cada vez mais difícil de encontrar: quatro carroças que ainda carregam pelas ruas de Tangará da Serra um pedaço da história do município.


Regras para carroceiros

Código Ambiental de Tangará

Fonte: Diário Oficial do Município

Lei complementar

Nº 149, de 3 de novembro de 2010

Ladeiras: é proibido descer sem travas, e o uso do equipamento é obrigatório.

Boleias e arreios: devem ser apropriados para o uso.

Barulho: é proibido o uso de sinos, chocalhos ou campainhas que produzam ruído constante.

Lei ordinária

Nº 5.704, de 12 de abril de 2022

O Estatuto estabelece normas relacionadas à proteção, defesa e bem-estar animal em Tangará da Serra.

Legislação municipal Tangará da Serra (MT)


Fonte: Rogério Júnior/TVCA

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